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Como alguns nutrientes ajudam na saúde do cérebro

Atualmente, muito tem-se falado sobre os benefícios de introduzir ou aumentar o consumo de certos alimentos como medida preventiva para reduzir os riscos de diversas doenças degenerativas, indicando altas correlações entre os efeitos benéficos de alguns nutrientes com efeitos fisiológicos protetores.

Um bom exemplo disso é a dieta do Mediterrâneo.

Estudos mostram que as populações que consomem esse tipo de dieta apresentam menor prevalência de doença de Alzheimer e comprometimento de memória.

Mas a dieta do Mediterrâneo não se resume a um conjunto de diretrizes ou instruções claras de uma dieta em si, mas sim uma generalização dos hábitos alimentares dos povos que habitam o nordeste da Espanha, sul de França, Portugal, Grécia, Itália e outros países do Mediterrâneo.

Os principais aspectos da dieta estão na substituição das gorduras animais por óleos vegetais (azeite de oliva) no consumo de grandes quantidades de vegetais, nozes, legumes, cereais crus e no consumo diário de peixes e frutos do mar. Além disso, se permite uma moderada ingestão diária de vinho.

O fundamento científico da correlação entre os nutrientes mais presentes nesta dieta e seu benefício para memória baseia-se na preservação ou regeneração da membrana dos neurônios, mantendo, desta forma, o bom funcionamento das células cerebrais.

Para entender melhor, vamos conhecer estes principais nutrientes e seus benefícios:

Ômega 3 – É um importante constituinte do cérebro e apresenta papel na função cognitiva.
Funciona principalmente na alteração da composição lipídica da membrana e no metabolismo das células do cérebro. De forma simplificada o ômega 3 alimenta a membrana celular e a deixa mais “eficiente” para suas funções bioquímicas. Pode ser encontrado em peixes, especialmente os de águas frias e profundas, como anchova, atum, cavala, sardinha e salmão. Também pode ser encontrado na linhaça e no azeite de oliva.

Vitaminas do Complexo B (principalmente as vitaminas B6, B9 e B12) – Atuam diretamente na função cognitiva. Protegem os tecidos nervosos contra a oxidação e beneficia o metabolismo dos transmissores cerebrais, responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos. São encontrados em algas, peixes em geral, leite e seus derivados, alface, grãos e fígado de boi.

Vitamina C – Importante antioxidante que protege as células. O sistema nervoso central é bastante vulnerável à oxidação devido ao grande consumo de oxigênio, e a vitamina C atua na proteção das células às reações danosas. E de maneira mais sutil, também apresenta certa influência na elaboração e funcionamento do tecido nervoso. As principais fontes alimentares de vitamina C são as frutas cítricas (laranja, limão, tangerina, kiwi, morango) e também as seguintes verduras e legumes (pimentão, rúcula, agrião, espinafre etc).

Vitamina E – Também atua como um potente antioxidante e previne que as membranas das células sofram pela oxidação. Pode ser encontrada em óleos vegetais, cereais integrais e sementes.

Selênio – Atuação antioxidante, protegendo as membranas da ação de danos oxidativos. Existem ainda alguns indícios de que o selênio também ajuda a proteger a função cognitiva. As principais fontes alimentares de selênio são os produtos de origem animal: peixes, carnes de boi, frango, queijos, leite desnatado e ovos). Dos alimentos de origem vegetal, destacam-se as castanhas-do-pará e a castanha-de-caju.

Grande parte dos pacientes com Alzheimer apresentam deficiência dos nutrientes acima descritos e a razão quase sempre, é pela sua baixa ingestão na dieta.

Isso só prova o quanto é importante estarmos atentos ao que selecionamos para nossas refeições. A alimentação não diz respeito apenas ao consumo de alimentos, mas também à ingestão de nutrientes que influenciam nosso bem-estar e a nossa saúde a longo prazo.

Abaixo seguem outros nutrientes que também influenciam na saúde do cérebro:

Colina – Nutriente essencial para o funcionamento de todas as células e transporte dos mesmos pelo corpo. Além disso, atua também como matéria prima para a formação de um importante neurotransmissor relacionado com a memória. Na natureza, podemos encontra-lo na gema do ovo e na soja.

Uridina – Composto presente no material genético de uma célula e que auxilia em processos metabólicos. Sem a uridina, não ocorre um importante processo metabólico de produção de um neurotransmissor. Atua também estimulando o crescimento dos filamentos dos neurônios e melhora a função cognitiva. A única fonte biodisponível de uridina é o leite materno. Os adultos apresentam capacidade de produzir a uridina, porém isso não ocorre adequadamente nos pacientes com doença de Alzheimer.

Fosfolipídios – Compreendem uma classe especial de lipídeos e é o principal componente de todas as membranas das células. Existem diferentes tipos de fosfolipídios e uma das suas múltiplas funções é revestir os neurônios, protegendo-os e permitindo que o impulso nervoso passe corretamente. Eles também vão permitir que as membranas celulares destas células estejam bem estruturadas possibilitando assim que a comunicação entre um neurônio e outro seja eficaz, resultando em boa aprendizagem e memória.

É importante ressaltar que embora estes nutrientes tenham benefícios comprovados na preservação e no bom funcionamento das células cerebrais, quando pensamos em obter benefícios clínicos é necessário que haja o consumo destes nutrientes combinados e em quantidades específicas. Por esta razão, é muito importante que qualquer tipo de intervenção nutricional seja feita com o acompanhamento de um profissional de saúde especializado, caso contrário, pode haver o risco de não se obter os resultados esperados.

Além disso, lembramos que a dieta é um constituinte importante para preservar o funcionamento cognitivo no decorrer da vida, entretanto, é apenas uma de várias outras atividades que também influenciam no bom funcionamento mental. Praticar exercícios, prevenir doenças crônicas, não fumar, evitar estresse, dormir bem e manter o cérebro ativo são também muito importantes para a manutenção das funções cognitivas.

Referência

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